sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Favelas são atraidas por turistas


As favelas atraem o estrangeiro porque materializam uma utopia que eles nutrem sobre os trópicos, que acreditam ser um lugar onde as pessoas não trabalham nem têm preocupações materiais, vivem em comunidade e ocupam-se apenas da satisfação dos instintos básicos, como fazer amor, beber, comer e dançar samba. Enquanto não levarem um tiro, vão acreditar nisso. De resto, esta glorificação das favelas como sendo o núcleo profundo do Brasil vem desde o Estado Novo e sua busca por raízes e "coisas nossas". Daí também saiu o samba, promovido a suprema manifestação cultural brasileira e origem do actual problema do turismo sexual. Enfim, o recado era este: o "verdadeiro" Brasil estava nas favelas e vivia para o Carnaval, os demais brasileiros seriam não mais que uma elite colonizada. Ah, sim: também das favelas vêm os jogadores de futebol.
Entre 1991 e 2005, a população favelas cresceu 45%, três vezes mais do que a média do crescimento demográfico do país.
A situação é tão dramática, que o Rio de Janeiro, segundo a ONG Observatório das Favelas, já tem favelas estratificadas, divididas em regiões pobre e “não tão pobres” (a Rocinha tem um nível de vida bem superior à algumas do Complexo do Alemão, por exemplo).

Por: Nancy Santos

Magia negra para o satanismo


Seguidores do Caminho da Mão Esquerda (Setianismo) praticam o que, num sentido muito especialmente definido, denominamos Magia Negra. Magia Negra concentra-se em metas auto determinadas. A sua fórmula é "Minha Vontade será feita", em oposição a magia branca do Caminho da Mão Direita, cuja fórmula é "Tua/Vossa Vontade será feita".
Magia Negra é evitada e temida porque fazer Magia Negra é assumir inteira responsabilidade pelas suas acções, opções e eficiência.
Uma vez que a Magia lhe habilita a influenciar ou mudar eventos de maneiras não compreendidas nem antecipadas pela sociedade, você precisa primeiro desenvolver uma apreciação sadia e sofisticada pelas éticas que governam os seus próprios motivos, decisões e acções antes de pô-la em prática. Usar magia por desejos impulsivos, triviais ou egoístas não é uma atitude Setiana. Você deve tornar a sua segunda natureza a prática de sempre pré-avaliar cuidadosamente as consequências do que deseja fazer, e então escolher o caminho da sabedoria, justiça e aperfeiçoamento.
O Templo de Set utiliza um longo espectro cultural e conceptual de ferramentas mágicas, muito além de apenas as egípcias, e está sempre buscando novas abordagens e técnicas.
Magia pode tanto ser operativa - para curar a doença de sua mãe, conseguir um emprego melhor, fortalecer a sua memória, etc. - ou ilustrativa/iniciatória. A segunda refere-se a processos mágicos que visam habilitar e desempenhar o processo vitalício de Iniciação. Eles são como os "ritos de passagem" de várias culturas primitivas e religiões convencionais, mas se distinguem desses através de um importante factor: Eles representam uma mudança individual, em vez de social. Trabalhos Iniciatórios representam dessa forma a realização da auto-deidificação, enquanto "ritos de passagem" sociais integram um indivíduo à sociedade. Um "rito de passagem" comunicando passagem ao estado adulto afirma que o indivíduo envolvido está agora possuído de certa dignidade e responsabilidades. Um trabalho Iniciatório desperta o indivíduo a certos poderes individuais [e responsabilidades], os quais podem ou não ser usados num contexto social.
Magia Iniciatória é necessariamente individual, e situa o praticante a uma distância conceptual da sociedade. Iniciação não ocorre dentro da Câmara Ritual, mas é ilustrada lá.
Magia Negra segundo o setianismo é o meio através do qual os Iniciados no Caminho da Mão Esquerda experimentam a sua própria divindade, em vez de rezar para deuses considerados pela fraternidade como imaginários.

Historia real de Annaliese Michel


Em 1968 Anneliese uma jovem católica alemã, teve um estranho ataque. Paralisada e com tremores, foi incapaz de pedir ajuda às suas três irmãs e aos pais. Um neurologista da clínica psiquiátrica diagnosticou-lhe Epilepsia do tipo “Grande Mal”, um conceito ultrapassado no meio da comunidade científica, que em vez de separar a doença em “Grande Mal” e “Pequeno Mal” divide-a em crises parciais e crises generalizadas.
Após uma longa estadia no Hospital, ela começa a ter visões demoníacas enquanto reza. No final de 1970, Anneliese regressa à escola e começa a crer que está possuída. As coisas pioram quando ela começa a ouvir vozes que lhe dizem que vai arder no inferno. As depressões aumentam e sente-se cada vez mais afastada da medicina, incapaz de lhe resolver a sua questão.

Em 1973, os seus pais pedem à Igreja por um Exorcismo e esta rejeita e recomenda que ela continue a tomar a medicação que os médicos lhe prescreveram.
Na sua doutrina, a Igreja define o exorcismo como sendo um rito sagrado destinado a expulsar o demónio dos possessos ou a subtrair pessoas e coisas às influências demoníacas. A cerimónia seguida é antiquíssima, contendo alguns formulários que têm origem antes do séc.X. Os exorcismos, que ainda se efectuam nos dias de hoje, seguem as normas estabelecidas pelo título XII do Ritual Romano, o qual, por sua vez, reproduz o ritual de Paulo V (1614), posteriormente revisto pelo papa Bento XIV (1744).
Após o concílio Vaticano II (anos 60 do séc XX), a Igreja começou a revelar grande reserva relativamente à possessão demoníaca, à medida que a ciência moderna veio demonstrar que a maioria das pessoas, ditas possessas, mais não eram do que pacientes do foro neurológico e/ou psiquiátrico.
É assim necessário um extenso conjunto de sintomas para que a Igreja Católica considere uma pessoa possuída (Infestatio).
Mas, os pais de Anneliese não desistiram e através de Ernst Alt, o pastor encarregue do caso, voltaram a formular o pedido. Novamente rejeitados, eles decidem que Anneliese deveria assumir uma vida ainda mais religiosa de forma a tentar expulsar o mal.
Mas os ataques continuaram e na casa dos seus pais, Anneliese insultava, batia e mordia os membros da família, não se alimentava normalmente e dormia no chão. Começava a comer moscas, aranhas e carvão e chega a beber urina.
Paralelamente ela destruia crucifixos, imagens de Jesus e rosários.
Em Setembro de 1975, a Igreja Católica finalmente acedeu ao pedido familiar e designava o padre Arnold Renz e o pastor Ernst Alt para efectuarem o exorcismo. De Setembro de 1975 ahttp://www.blogger.com/img/blank.gif Julho de 1976 foram mantidas naquela casa 2 sessões de exorcismo semanal, por vezes, os seus ataques eram tão fortes que eram necessários 3 homens para a agarrar. Entre essas sessões, houve períodos em que Anneliese acalmou e pôde fazer a sua vida normal, ir à escola, etc.
Mas os ataques não paravam e durante 6 meses ela recusava-se a alimentar-se.
A 30 de Junho de 1976, os exorcismos param. Ela sofreu uma pneumonia e morre no dia 1 de Julho, usando como últimas palavras “Beg for Absolution” (implora pela absolvição).

Por: Ana Medeiros e Nancy Santos

Testamento Vital: decisão sobre a maneira de morrer


Um testamento vital é um documento em que consta uma declaração antecipada de vontade, que alguém pode assinar quando se encontra numa situação de lucidez mental para que a sua vontade, então declarada, seja levada em linha de conta quando, em virtude de uma doença, já não lhe seja possível exprimir livre e conscientemente a sua vontade.
O que se assegura através destes documentos é a "morte digna", no que se refere à assistência e ao tratamento médico a que será submetido um paciente, que se encontra em condição física ou mental incurável ou irreversível, e sem expectativas de cura.
Na grande generalidade das situações, as instruções destes testamentos aplicam-se em situações terminais, quando a pessoa se encontra num estado permanente de inconsciência ou quando sofreu um dano cerebral irreversível que, além da consciência, não possibilite que a pessoa recupere a capacidade de tomar decisões e exprimir seus desejos futuros.
Já existente em vários países, nomeadamente do norte da Europa, o testamento vital é uma realidade nova em Portugal. Não prevendo a lei a possibilidade de o cidadão pré-determinar o comportamento médico face a uma eventual doença incapacitante, alguns cidadãos têm optado, em alternativa, por comunicar aos familiares a sua vontade.
Essa vontade poderá ser mais tarde comunicada ao médico, que, em última análise, e de acordo com o juramento de Hipócrates a que todos os médicos estão subordinados, tomará a decisão, que é sempre pessoal, sobre o tratamento, ou ausência dele, perante a situação em concreto.
A criação de um testamento vital, através do qual uma pessoa lúcida possa fazer uma declaração antecipada da sua vontade, para ser aplicada numa situação em que não a pode expressar, é consensual na Igreja, garante Feytor Pinto. Mas apenas "se este for um direito a fazer escolhas e não inclua o querer morrer", acrescenta.
A morte de Eluana Englaro relança o debate em torno das decisões relacionadas com o momento da morte e os tratamentos que o paciente aceita ou rejeita. O caso de Eluana Englaro relançou em Portugal o debate em torno da eutanásia e do Testamento Vital. A italiana que estava em estado vegetativo há 17 anos (persistente há dois anos) após ter sofrido um acidente de viação, faleceu a 9 de Fevereiro, depois de os médicos lhe terem suspendido a alimentação e a hidratação artificial que a mantinham viva.
Segundo o sítio electrónico da Internacional Anti-Euthanasia Task Force, os Estados americanos do Oregan e Washington, juntamente com a Holanda e a Bélgica são as únicas jurisdições do mundo que permitem especificamente a eutanásia e o suicídio assistido.


Nos dois Estados americanos foram criadas leis que permitem o suicídio assistido. Por sua vez os dois países europeus permitiram tanto a eutanásia como o suicídio assistido. Na Suíça estes dois actos são ilegais, todavia o suicídio assistido apenas é penalizado caso tenha sido levado a cabo por motivos egoístas.
No território norte da Austrália foi aprovada a eutanásia, em 1995, mas foi revogada pelo parlamento em 1997. Também em 1997 o Supremo Tribunal na Colômbia decidiu que deveriam ser retiradas as penalizações às mortes por piedade, mas a decisão não terá efeito até que seja aprovada pelo Congresso Colombiano.
Em Portugal a eutanásia não é autorizada nem o testamento vital é reconhecido. No caso da Eutanásia, a Constituição da República Portuguesa reconhece o Direito à dignidade humana e social (artigos 1º e 13º), da mesma forma que nos artigos 24º, 26º e 64º onde são consagrados o direito à vida, o direito de defender e promover a sua saúde e a dos outros, sustentando que a vida humana é inviolável e que nenhum caso se aplicará a pena de morte.

No código penal a eutanásia pode ser considerada como homicídio; homicídio qualificado; homicídio privilegiado; homicídio a pedido da vítima; incitamento ou ajuda ao suicídio e homicídio por negligência, conforme o caso (artigos 131º, 132º, 133º, 134º, 135º e 136º, respectivamente).

Relativamente ao testamento vital (registo antecipado com instruções sobre os tratamentos que a pessoa permite ou recusa receber ao longo da vida, em caso de incapacidade de exprimir a sua vontade) ainda não está regulamentado.

Por: Sónia Casado