
Hip Hop não é um estilo de música, ao contrário do que muitos possam pensar. É acima de tudo, um estilo de vida. Tudo dentro do Hip Hop tem a ver com a afirmação de uma identidade esmagada pelo peso de uma grande cidade. O mesmo se passa nas outras disciplinas que compõem esta comunidade. Esta forma de expressão entende-se dentro do que o "dj" faz, dentro do que o "raper" faz, a afirmação constante do seu nome, do que o "breakdancer" faz no meio da rua em cima de um pedaço de cartão, e também do que o graffer faz, o seu "tag", que não é mais que a sua assinatura espalhada por todas as ruas. São maneiras diferentes de dizer ao mundo que se existe, e pontuar pela cidade os seus próprios caminhos.
No início dos anos 80 as políticas do "Reganismo" limitaram o ensino de música nas escolas, e assim uma série de jovens passaram a fazer, eles próprios, essa aprendizagem. Este é um tipo de música muito urbana que dirá qualquer coisa a quem quer que sinta o pulsar da cidade... É o resultado de um processo democratizante, acessível a músicos e a não músicos, é uma música com códigos rítmicos muito específicos, que qualquer pessoa com o equipamento certo pode aceder.
Deste universo do Hip Hop fazem parte mais quatro disciplinas fundamentais: o graffiti, o dee-jaying, o m-siing e o breakdance. Entre o graffiti e o breakdance há uma ligação muito profunda à comunidade latina dos EUA. Tudo começou com os murais latinos do tempo dos aztecas que sempre foram uma grande forma de expressão dentro da comunidade latina. O próprio breakdance surgiu como uma forma de evitar as batalhas entre diversos gangs de Nova Iorque. Era preferível o convívio, a dança para eleger um bom bailarino, às guerras e lutas que muitas vezes terminavam em banhos de sangue...
Em Portugal o Hip Hop está de muito boa saúde!! Nem todas as pessoas vêm com bons olhos o estilo de vida que os adeptos do Hip Hop levam. São descriminados pelas roupas que usam, (calças largas a arrastar no chão, com bolsos de lado, t-shirts por cima de t-shirts, bonés de pala ao lado e ténis com atacadores das mais fluorescentes cores...), pela linguagem que utilizam, pela própria música que ouvem e claro está, pelos desenhos que fazem ao longo das paredes e muros das cidades e vilas. Isto acontece com o Hip Hop da mesma forma que há uns anos atrás acontecia com os metálicos que eram vistos de forma estranha, tal como também acontece ainda com os surfistas. As pessoas ao verem nesses códigos uma forma de diferença imediatamente se vão afastando deles e a eles próprios.
Por: Sónia Casado
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